Hip-hop tem decreto federal desde 2023, mas a lei ainda espera o Senado

O Decreto 11.784 reconhece a cultura, mas não fixa verba. Em São Paulo há lei estadual, e no Senado o PL 5.660/2023 aguarda o Plenário e o PL 3.839/2024, despacho.

Por Augusto L. · · 3 min de leitura

Peça do Instagram do Portal do Hip-Hop sobre o hip-hop ter decreto federal e ainda não ter lei
Reprodução/Instagram do Portal do Hip-Hop

O hip-hop é reconhecido por decreto federal desde 20 de novembro de 2023 e por lei estadual em São Paulo desde 9 de abril de 2024, mas não tem lei federal. Em 29 de outubro de 2026, o PL 5.660/2023 espera o Plenário do Senado e o PL 3.839/2024 aguarda despacho.

Decreto e lei têm origens diferentes. O Decreto 11.784 foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com base no artigo 84, inciso IV, da Constituição. Lei precisa passar pelo Congresso. Como ato do Executivo, o decreto pode ser alterado por um presidente futuro sem votação de deputados e senadores.

O que o Decreto 11.784 diz

O artigo 1º define a cultura hip-hop como manifestação da cultura nacional. O artigo 4º lista diretrizes para as políticas públicas de cultura, entre elas fomentar o hip-hop como política de Estado, criar condições para batalhas, cyphers e slams e apoiar espaços como pontos de cultura viva.

O texto não traz valor em reais nem indica dotação orçamentária. O dinheiro depende de ações separadas, como as duas que o governo federal anunciou.

A primeira é o Edital Prêmio Cultura Viva Construção Nacional do Hip-Hop 2023, do Ministério da Cultura, com R$ 6 milhões para 325 projetos: 200 prêmios de R$ 15 mil para pessoas físicas, 75 de R$ 20 mil para grupos e coletivos e 50 de R$ 30 mil para instituições sem fins lucrativos. A Alma Preta noticiou o lançamento em 23 de outubro de 2023, antes da assinatura do decreto.

A segunda é a Escola Nacional de Hip-Hop H2E, do Ministério da Educação, apresentada por Lula e pelo ministro Camilo Santana em 31 de março de 2026, no Parque Anhembi, em São Paulo. O programa terá R$ 50 milhões de 2026 a 2027 para usar o hip-hop como ferramenta pedagógica na rede pública, segundo o Poder360. Mais sobre as ações federais está na matéria sobre a reeleição de Lula e a política federal para o hip-hop.

A Lei 17.896, de 9 de abril de 2024, declara o hip-hop patrimônio cultural imaterial do Estado de São Paulo. Nasceu do projeto de lei 498/2021, de autoria da deputada estadual Leci Brandão (PCdoB) e de outros três parlamentares, e foi publicada no Diário Oficial em 11 de abril de 2024. O artigo 1º apenas faz a declaração, e o artigo 2º põe a lei em vigor na data da publicação.

Sobre o título, Leci Brandão disse ao Brasil de Fato que “Lutar pela sua valorização e fortalecimento é lutar pelo nosso povo e pelas nossas conquistas”.

Os dois projetos no Senado

O PL 5.660/2023, de autoria da Presidência da República, institui o Dia Nacional do Hip-Hop e a Semana de Valorização da Cultura Hip-Hop. Chegou ao Senado vindo da Câmara dos Deputados e foi autuado em 18 de novembro de 2025. Em 3 de março de 2026, a Comissão de Educação e Cultura aprovou o parecer favorável da senadora Teresa Leitão (PT/PE).

Não houve emendas no prazo de 4 a 10 de março de 2026. Desde 12 de março, o projeto está pronto para deliberação do Plenário, em turno único, e a última movimentação registrada é a publicação de 13 de março de 2026 no Diário do Senado.

O PL 3.839/2024, do deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSOL/RJ), reconhece o hip-hop como manifestação da cultura nacional, o mesmo conteúdo do decreto, agora em forma de lei. Foi autuado no Senado em 20 de julho de 2026 e, segundo a página da matéria consultada em 29 de outubro de 2026, aguarda despacho, sem relator nem comissão designados.

Fontes

  1. al.sp.gov.br
  2. poder360.com.br
  3. almapreta.com.br
  4. www25.senado.leg.br
  5. www25.senado.leg.br
  6. portaldohiphop.com.br
  7. Brasil de Fato

O que você achou?

Compartilhe esta matéria

Augusto L.

A equipe que apura e escreve as notícias, os lançamentos e as séries do Portal. Quando erramos, corrigimos à vista, com nota no fim da matéria.

Próxima matéria

Leia também