Nelson Triunfo conta que era preso por vadiagem por dançar na rua

No último episódio da série do Sesc São Paulo, o pioneiro lembra o delegado do Bexiga, o papelão de geladeira no centro, o granito da 24 de Maio e o caminho até a São Bento.

Por Augusto L. · · 3 min de leitura

Nelson Triunfo em conversa no Sesc Avenida Paulista no episódio final do especial de hip-hop
Reprodução/YouTube (Sesc São Paulo)

Nelson Triunfo, pioneiro da dança de rua em São Paulo, contou no último episódio de “Olhares sobre São Paulo: Especial Hip-Hop”, publicado pelo Sesc São Paulo em 8 de setembro de 2026, que foi preso várias vezes por vadiagem por dançar no centro da cidade.

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Segundo ele, as prisões eram tantas que um delegado do Bexiga o recebia sempre da mesma forma: “Você de novo, rapaz?”. Nelson respondia que não gostava de ir até lá, e que quem o levava eram os policiais.

Sobre as vezes em que mais foi detido, ele diz que “foi como vagabundo, foi como vadiagem”. Quando cobravam a carteira assinada, a resposta era: “Quem é que vai assinar minha carteira na rua, doutor?”. A frase também abre a descrição do vídeo no canal do Sesc.

No episódio, um dos participantes da conversa lembra que Nelson já era artista negro, de cabelo black, em plena ditadura militar, e que o hip-hop veio “fortalecer mais essa resistência”. Ele conta que ele e o pessoal do MNU, o Movimento Negro Unificado, eram militantes. Sobre ter escapado de destino pior, diz: “Poxa, tantos morreram pelo caminho, eu podia também ter morrido”.

Nelson Triunfo, de Triunfo (PE) ao centro de São Paulo

Nelson nasceu em Triunfo, no sertão de Pernambuco. No depoimento à série “Cada Voz”, do Itaú Cultural, ele conta que chegou a São Paulo em 1977 e montou ali o Funk & Cia, grupo de soul e funk no estilo de James Brown.

No mesmo depoimento, ele diz que foi o primeiro a levar a dança para as ruas do centro da cidade.

Na conversa com o Sesc, ele descreve o ponto de encontro: a esquina da Dom José de Barros com a 24 de Maio, entre a antiga Mesbla e a Besni, que chama de “marco zero”. Em outros lugares do centro, os dançarinos emendavam dois papelões de geladeira com fita crepe para fazer pista. Ali, o piso largo de granito dispensava o papelão e permitia girar de costas e de cabeça.

Ele cita quem surgiu no marco zero e na São Bento: Pepeu e Jack, no primeiro, e Thaíde e, em 1986, KJ, que fazia wave, na São Bento. Segundo Nelson, Mano Brown também frequentou a São Bento, e Os Gêmeos estavam entre os grafiteiros.

Os cinco episódios de “Olhares sobre São Paulo”

O vídeo tem 11 minutos e 44 segundos e reúne Nelson com os outros personagens da série: Marcelinho Backspin, DJ Zeme, Fabiano Minu e Sharylaine. A pesquisa e as entrevistas são de Francisco Espectro, e a gravação foi no Sesc Avenida Paulista. A série tem cinco episódios e está numa playlist do canal do Sesc São Paulo no YouTube.

Em depoimento à série “Cada Voz”, do Itaú Cultural, de 6 de julho de 2020, Nelson já havia falado do tema. Ele contou que foi mandado embora do centro, chamado de vadio e levado preso, e que voltava a dançar no dia seguinte.

O episódio completo está no canal do Sesc São Paulo no YouTube.

Fontes

  1. YouTube
  2. YouTube

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Augusto L.

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