Lula vira o 2º turno e é reeleito: onde o rap nacional esteve na campanha

De São Paulo a Copacabana, rappers participaram de atos e declararam apoio nas redes; a cultura hip-hop já tem decreto, edital e escola federal, e dois projetos de lei sobre o tema aguardam o Senado.

Por Augusto L. · · 5 min de leitura

Multidão acompanha a caminhada de Lula em Copacabana, no Rio de Janeiro, em 24 de outubro de 2026
Foto: Ricardo Stuckert/Lula Oficial

Lula (PT) foi reeleito presidente em 25 de outubro de 2026 com 51,8% dos votos válidos contra 48,2% de Flávio Bolsonaro (PL), mais de 4,4 milhões de votos de diferença, segundo o Poder360 (dados do TSE, 99,99% das urnas). É o primeiro a vencer um 2º turno após terminar a 1ª votação atrás, no atual período democrático.

No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio havia terminado na frente, com 47,03% contra 45,16%. Entre os dois turnos, Lula somou cerca de 10,4 milhões de votos a mais, enquanto Flávio ganhou cerca de 3,7 milhões. A abstenção caiu de 21,08% para 19,21%. As pesquisas Datafolha e Quaest, de 23 e 24 de outubro, davam Flávio na frente por 51% a 49% dos votos válidos. Não encontramos medição do efeito de atos de rua ou de apoios de artistas sobre o resultado.

O rap nacional apareceu em pelo menos quatro atos presenciais e em declarações públicas de artistas com grande audiência nas semanas entre os turnos.

Em 11 de outubro, na Avenida Paulista, em São Paulo, a Marcha pela Democracia reuniu milhares de pessoas. Baco Exu do Blues discursou e pediu que os presentes conversassem com eleitores indecisos.

“Cada um de vocês ache uma pessoa que está em dúvida e converse com ela. Eu sei que é difícil, eu sei que às vezes é complicado, mas é um pedido que eu faço para todos vocês.”

Em 18 de outubro, o ato “O Rap Convoca” levou, segundo a Alma Preta, mais de cinco mil pessoas à Vila Nova Cachoeirinha, Zona Norte de São Paulo, com artistas como Karol Conká, Rael, Tássia Reis e Pentágono. Emicida, um dos mobilizadores, havia convocado o evento no Instagram em 15 de outubro. Rashid, Projota e Jotapê também estiveram no palco, segundo a Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT. Durante o ato, de acordo com a Alma Preta, Emicida disse que “a neutralidade perante uma situação de opressão é abraçar o lado do opressor” e que “o lado do rap é o lado da rua, é o lado dos preto, é o lado da periferia, é o lado dos indígena, é o lado das mina, é o lado dos LGBTQ+, sacou? É o lado de nós todos”.

Rashid escreveu no Instagram, em 19 de outubro, que a Polícia Militar reduziu a duração do evento em duas horas; ele não informou o motivo.

Em 21 de outubro, em Belo Horizonte, Djonga subiu no trio elétrico durante a caminhada de Lula e foi saudado pelo público, ao lado de parlamentares do PSOL e do PT. A reportagem do Estado de Minas não registrou discurso ou performance musical dele no ato. Sidoka e FBC também compareceram.

Em 24 de outubro, véspera da votação, a caminhada de Lula em Copacabana, no Rio de Janeiro, reuniu aproximadamente 1,1 milhão de pessoas, segundo o Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio (COR-Rio), que não explicou o método da estimativa. O rapper Xamã estava entre os presentes, segundo a Mídia NINJA.

Nas redes sociais, outros nomes do rap nacional se posicionaram. Mano Brown publicou no Instagram, em 16 de outubro, uma foto de Ricardo Stuckert com a legenda “Dia 25, é 13! Nunca foi fácil”. Matuê, que já havia declarado apoio a Lula em 3 de outubro, voltou a se manifestar no Instagram na véspera do 2º turno: “Meu lado é o de quem luta por mais acesso e menos desigualdade”, escreveu, concluindo com “É com a esquerda. É com Lula.” Xamã, por sua vez, havia escrito “Não existe rap de direita” após participar do ato Cultura com Lula, na Fundição Progresso, no Rio, em 23 de setembro, segundo o Poder360.

Decreto nº 11.784, Edital MinC e Escola H2E

A política federal para a cultura hip-hop tem três marcos desde 2023. O Decreto nº 11.784, de 20 de novembro de 2023, estabeleceu diretrizes nacionais de valorização e fomento da cultura hip-hop. O artigo 1º a reconhece como manifestação da cultura nacional, e o artigo 2º lista DJ, MC, breaking, graffiti e o conhecimento como elementos estruturantes.

O Edital MinC nº 10/2023, de 25 de outubro de 2023, destinou R$ 6 milhões do Fundo Nacional da Cultura a 325 prêmios (200 de R$ 15 mil, 75 de R$ 20 mil e 50 de R$ 30 mil), com 2.671 iniciativas inscritas.

A Escola Nacional de Hip-Hop H2E, do Ministério da Educação, foi lançada em 31 de março de 2026 no Parque Anhembi, em São Paulo, por Lula e pelo ministro Camilo Santana. O programa, instituído pela Portaria MEC nº 297, prevê R$ 50 milhões de 2026 a 2027 e usa o hip-hop como ferramenta pedagógica nas redes públicas de ensino. A adesão voluntária das redes ficou aberta até 30 de junho de 2026.

PL 5.660/2023 e PL 3.839/2024 no Senado

Dois projetos de lei sobre hip-hop aguardam votação no Senado Federal. O PL 5.660/2023, que institui o Dia Nacional do Hip-Hop em 11 de agosto, foi aprovado pela Câmara em 11 de novembro de 2025. Desde 12 de março de 2026 está na situação “pronto para deliberação do Plenário”, aguardando inclusão na Ordem do Dia.

O PL 3.839/2024, que propõe reconhecer o hip-hop como manifestação da cultura nacional por lei, foi autuado no Senado em 20 de julho de 2026 e consta como “aguardando despacho”. O pedido de registro do hip-hop como patrimônio cultural imaterial, entregue ao Iphan em 17 de julho de 2023, segue sem decisão pública localizada pelo Portal até 26 de outubro de 2026.

As coberturas consultadas sobre o programa de governo de Lula para 2027 a 2030 não registram menção ao hip-hop, e o mesmo vale para o plano de Flávio Bolsonaro, segundo A Gazeta, com base em reportagem da BBC. Em 23 de setembro de 2026, no ato Cultura com Lula, no Rio, Lula defendeu uma emenda constitucional para tornar a centralidade da cultura cláusula pétrea, segundo O Liberal. Não localizamos proposta formal.

Fontes

  1. poder360.com.br
  2. Metrópoles
  3. atarde.com.br
  4. almapreta.com.br
  5. em.com.br
  6. itatiaia.com.br
  7. midianinja.org
  8. Instagram

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Augusto L.

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